Você já sentiu o coração disparar de repente, uma falta de ar intensa, a sensação de que o chão estava sumindo sob os seus pés — sem nenhum motivo aparente? Se sim, você pode ter vivenciado uma crise de pânico. E se isso se repetiu mais de uma vez, com o medo constante de que possa acontecer de novo, existe um nome para isso: Síndrome do Pânico.
A Síndrome do Pânico é uma condição de saúde mental caracterizada por crises súbitas e intensas de medo extremo, acompanhadas de sintomas físicos muito reais — palpitações, tremores, tontura, sudorese, falta de ar e até a sensação de que se vai morrer ou enlouquecer. O que mais confunde as pessoas é exatamente isso: o corpo reage como se houvesse um perigo real, mas não há nada de errado fisicamente. Os exames voltam normais. E mesmo assim o sofrimento é enorme.
Quem passa por isso frequentemente vai a pronto-socorros, faz eletrocardiogramas, consulta cardiologistas, neurologistas, e tudo aparece dentro da normalidade. Esse caminho, além de desgastante, pode demorar anos até que a pessoa receba o diagnóstico correto. Enquanto isso, a vida vai sendo limitada: evita-se sair de casa, pegar trânsito, ficar em locais fechados ou concorridos, qualquer situação que possa “desencadear” uma nova crise. Esse comportamento de evitação é o que mais rouba a qualidade de vida de quem tem Transtorno do Pânico.
O que está por trás de tudo isso, na maioria das vezes, é o sistema nervoso em estado de alarme permanente. E esse estado de alerta excessivo, com frequência, tem raízes em experiências emocionais passadas — traumas que o cérebro não conseguiu processar completamente. Quando algo no presente lembra, mesmo que inconscientemente, aquela experiência antiga, o organismo reage como se o perigo estivesse acontecendo agora. É o corpo tentando se proteger de uma ameaça que, para a mente racional, não existe mais — mas que para o sistema nervoso ainda está muito viva.
Foi exatamente isso que aconteceu com uma paciente que atendi no consultório. Ela chegou até mim após sete anos desmaiando. Sete anos. Tinha feito todos os exames neurológicos possíveis: eletroencefalograma, ressonância magnética, avaliação com neurologistas de referência. Absolutamente tudo dentro da normalidade. Nenhuma doença orgânica explicava os desmaios. Mas eles continuavam acontecendo, e a vida dela havia se tornado um constante estado de vigilância e medo.
Ao longo da avaliação, ficou evidente que havia um trauma emocional não resolvido na raiz daqueles episódios. O corpo estava expressando, através dos desmaios, algo que a mente ainda não havia conseguido elaborar. Decidimos trabalhar com a Terapia EMDR — uma abordagem baseada em evidências que utiliza estimulação bilateral (movimentos oculares ou outros estímulos) para ajudar o cérebro a processar memórias traumáticas que ficaram “presas”, como se o tempo tivesse parado naquele momento de dor.
Após apenas duas sessões de EMDR, os desmaios cessaram completamente. Isso foi há mais de seis anos. Desde então, ela não desmaiou mais nenhuma vez. Não foi milagre — foi neurociência. O cérebro dela, finalmente, conseguiu processar o que estava bloqueado, e o sistema nervoso deixou de precisar daquele mecanismo de “saída de emergência” que eram os desmaios.
Esse caso ilustra algo que vejo com frequência no consultório: muitos sintomas que parecem puramente físicos têm uma origem emocional e traumática que, quando tratada adequadamente, se resolve de forma surpreendente. O corpo fala o que a mente ainda não consegue dizer em palavras.
O tratamento da Síndrome do Pânico envolve, na maioria dos casos, uma combinação de acompanhamento psiquiátrico — com medicação quando necessário — e psicoterapia. Quando há traumas associados, abordagens como o EMDR e o Brainspotting podem ser especialmente eficazes, pois atuam diretamente na raiz do problema, e não apenas nos sintomas. O resultado costuma ser uma melhora significativa e duradoura na qualidade de vida.
Se você se identificou com algo que leu aqui, ou conhece alguém que vive com esse tipo de sofrimento, saiba que existe tratamento e que é possível recuperar a liberdade de viver sem medo. O primeiro passo é buscar uma avaliação especializada. Agende uma consulta agora. Clique
Dr. Marcelo Viana — Psiquiatra | CRMMG 50288 | RQE 44764
